"philosophical pitch" ou "scientific pitch"
O Schiller Institute e o Olho de Orwell
Verdi tuning! Afinação Verdi, em português.
Não penso entrar por aqui já que se alguém quiser saber mais sobre o assunto pode muito bem ir à Wikipedia e informar-se sobre isso.
Acho bem mais interessante debruçar-me sobre a dupla Goethe-Schiller e o chamado "Classicismo de Weimar". Bem claro fique que não sou ninguém para me deitar a apreciar o trabalho de tão ilustres humanos. Mas há coisas que ditas e sentidas noutras e tão distantes épocas, que têm agora algum sentido desfasado de uma realidade estranha de forma que é necessário deitar sobre elas um novo olhar.
Para o povo Alemão, o mundo deveria ser uma perfeita sinfonia em que tudo se passasse num ritmo e afinação perfeitos, filosófica e esteticamente, mesmo que para isso se tivesse que recorrer a uma fórmula matemática qualquer por muito absurda que pudesse parecer. E de nada vale falarem dos fantasmas como Kepler para nos tentarem impingir essa história de um mundo perfeito a dançar uma valsa.
Segundo Schiller, um ser humano devia ter as emoções educadas pela razão de forma a que o dever e a inclinação (instinto natural) não estivessem em confronto um com o outro, advindo daí a "beleza", sendo portanto esta não apenas uma experiência estética, mas também moral. Ou seja: o "Bom" é "Belo".
Claro está que estas coisas foram defendidas em finais do Séc. XVIII e princípios de XIX. O que é bem diferente de serem defendidas mais de 200 anos depois e com a humanidade num estado como o que actualmente atravessa. Hoje cabe mais do que nunca, duvidar de certezas e valores: o que é o "Bem"? E o que é isso de "Belo".
Depois de ter vivido mais de cinquenta anos e ter visto o mundo mudar de formas tão radicais e depois de ter assistido a mudanças de valores e sentimentos tão díspares como aqueles a que tive o privilégio de assistir, vejo hoje que algumas instituições perseguem certezas (?) que ainda recentemente.foram causa de grandes guerras e movimentos que destruíram as vidas de milhões de pessoas em todo o mundo pelo simples facto de que aquilo que para uns é "belo", para outros é "feio". Ou portanto, o que para uns é o "bem", para outros é o "mal".
Muitos dos movimentos chamados "Alternativos", vivem hoje de imagens propagandeadas por instituições e personalidades que defendem as mais absurdas teorias sociais e económicas. Hoje vejo com algum espanto, que a juventude que era suposto ter sido educada para o conhecimento e para a luz, mergulha em actividades tão contrárias a esses valores pelos quais as gerações anteriores tanto lutaram e sofreram. E pensam mesmo como os grandes ditadores e criminosos da história: quem pensa diferente deles, está contra eles e é preciso usar todo e qualquer método, incluindo a violência, para os contrariar e obrigar a pensar e viver como eles querem e acham que deve ser.
Há dias o acaso levou-me a estudar um instituto alemão, de nome Schiller Institut, através do qual dei comigo a aprofundar o meu parco conhecimento sobre as verdadeiras forças que movem o mundo. No artigo anterior olhei a vida de um dos fundadores deste instituto e comecei a pensar em Hitler e outros que tal. Mas aquilo que me deixou de boca aberta, por assim dizer, foi a quantidade de gente jovem que vê nestas personalidades os seus messias e salvadores do mundo, quando na realidade deviam ver um bando de criminosos cujo objectivo parece ser o de criar uma falácia com vista a que eles mesmos possam tomar o poder global que acusam os outros de querer.
Com palavras mansas e mensagens vagas mas ditas com pompa, parecem querer que todo o mundo se vergue às suas certezas e à sua moral em nome desse "bem" e desse "belo" que Schiller e Goethe defendiam com unhas e dentes e usando a mesma técnica que estes agora usam para obrigar os outros a aceitar aquilo que eles acham como sendo correcto. Cansa um pouco esta repetição da história. O nome do instituto está de facto bem escolhido. Mas parece um gato com o rabo de fora!
Quem ler o manifesto assinado pelos presentes na conferência do instituto, poderá ver o que se esconde por trás das palavras: "We, therefore, Representatives of the Peoples of the World, appealing to
the Supreme Judge of the world, do ... solemnly publish and declare
that all countries of the world are and of right ought to be free and
independent States. That all human beings on this planet have
inalienable rights, which guarantee them life, freedom, material
conditions worthy of man, and the right to develop fully all
potentialities of their intellect and their souls. That, therefore, a
change in the present economic and monetary order is necessary and
urgent to establish justice among the peoples of the world."
Em primeiro lugar ressalta de imediato a arrogância da declaração inicial: "We, therefore, Representatives of the Peoples of the World..." Bem: a mim não me representam porque eu nem sequer estava presente e a mim ninguém me perguntou se eu estava de acordo em que eles me representassem fosse para o que fosse. "...appealing to
the Supreme Judge of the world..." Quem???
Tem nome? Existência física? Onde está? O que faz? Onde mora? "do ... solemnly publish and declare
that all countries of the world are and of right ought to be free and
independent States" Ou não: parece que ainda há muito pouco tempo, um referendo popular decidiu, com apenas 1 voto contra, que os cidadãos queriam pertencer a um outro país. Aliás esta frase nem sequer tem nada de novo, como se isto já não fizesse parte de milhares de documentos produzidos durante décadas pelas chamadas instituições de direito internacional assim como a continuação deste absurdo "That all human beings on this planet have
inalienable rights, which guarantee them life, freedom, material
conditions worthy of man, and the right to develop fully all
potentialities of their intellect and their souls." A mim parece que isto já faz parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos. E por fim, a pérola: "That, therefore, a
change in the present economic and monetary order is necessary and
urgent to establish justice among the peoples of the world." Eu não preciso que venha um instituto qualquer dizer-me que as coisas têm que mudar nem sequer estou à espera que eles o façam por mim.
Para ser claro: não precisamos de institutos que nos venham impor regras de qualquer espécie que apenas servem para limitar a liberdade individual nem que venham meia dúzia de pedantes dizer que me representam quando eu não lhes pedi nada e mesmo que eles se achem no direito de defender aquilo que para eles é o "bem", eu tenho e terei sempre o inalienável direito de decidir por mim próprio o que quero para a minha vida. Obrigado, mas, NÃO obrigado!
Agora pergunto: como é que um instituto que se baseou num personagem que continua, aos 90 anos, a liderar um dos maiores sistemas privados de informação secreta do mundo, se atreve a dizer-me que está aqui para lutar pela minha liberdade? E como é que tantos jovens e não só, acreditam nestas balelas? É disto que eu tenho medo: desta ignorância das massas. Ortega Y Gasset deve dar voltas na campa: onde ficou a sua Rebelião das Massas?

