domingo, 24 de março de 2013

Quem é Lyndon LaRouche?

  Para a maioria dos portugueses, a figura de Lyndon LaRouche, também conhecido como Lyn Marcus, é um mistério. Para a maioria dos Americanos, é quase que um palhaço no ambiente político dos EUA.
 Mas quem é este homem?
 Quando hoje olhamos os movimentos chamados "Alternativos" que nos rodeiam e ouvimos muitas das coisas que defendem (na sua maioria de boa índole) vem-nos à memória este senhor que durante as revoltas estudantis americanas de 1968, foi um dos pilares do movimento que levou às grandes manifestações e às famosas repressões policiais que levaram à morte de muitos jovens.
 Nascido em 1922, quase há um século, tem sido desde 1976, um eterno candidato à presidência dos EUA. Das suas teorias, como filósofo e pensador, ressalta a sua defesa das Teorias da Conspiração, em que se têm baseado muitas das teses que hoje servem de estrutura a uma paranóia global apostada em fazer crer a todos os seres humanos que existe um plano engendrado por meia dúzia de oligarcas, cujo objectivo é controlar o mundo. Claro que isto tem muita tinta ainda por correr e que muita dessa tinta irá decerto reescrever-se a si mesma. Não queremos misturar as coisas e pensamos que na sua maioria trata-se nada mais nada menos do que pura paranóia que nestes momentos de crise sempre têm um encanto especial e produzem na cabeça dos povos confusos ideias erradas sobre o que está por trás deste movimento liberal que tem vindo a pouco e pouco, a envenenar o ambiente político e social de todas as nações.
  Mas LaRouche, acaba por se tornar numa figura incontornável destes movimentos, e também tem consciência de que as coisas que diz servem mais o crescimento do seu carisma e conta bancária do que propriamente a verdade. Mas vamos por partes!
  Desde a sua tenra idade, a sua personalidade foi moldada por um pai demasiado moralista e socialmente desadaptado. Seu pai, um Quaker convertido, impôs-lhe regras que se tornaram um martírio na escola por não se poder sequer defender dos colegas. A sua solidão, segundo as suas próprias palavras, levou-o a estudar muitos dos filósofos da idade moderna e deu-lhe a sustentação das suas teorias actuais.
  Durante os anos 40, depois de se ter declarado objector de consciência para evitar a guerra, estudou apenas durante alguns meses antes de abandonar os estudos para se alistar como não combatente nas forças americanas na Birmânia, onde serviu como auxiliar de serviços médicos. Em 1948 regressa aos estudos e começa a fazer parte de movimentos de base Trotskista. É por esta altura que o seu carácter evasivo se torna claro. Depois de dar aulas sobre o Materialismo Dialéctico de Marx na New York City's Free School (uma espécie de Universidade Aberta), convence um grupo de estudantes, durante os protestos de 1968 na Universidade de Colúmbia e organizou os seus apoiantes sob o nome National Caucus of Labor Committees (NCLC). O objectivo do NCLC era ganhar o controlo da facção Students for a Democratic Society, o principal grupo activista da universidade, e criar uma aliança política entre estudantes, residentes locais, sindicatos e a universidade. Muito parecido com o que alguns movimentos actuais fazem.
  A partir de 1971, tenta organizar um conjunto de meios de comunicação para influenciar (segundo os seus críticos) as figuras políticas mais susceptíveis de serem pressionadas pelo Quarto Poder.
  Durante as duas décadas seguintes, o seu percurso balança entre o politicamente correcto e o absurdo ético. Tem contactos com grupos de extrema direita e estrema esquerda; envolve-se em guerrilhas internas, envolve-se na problemática política Sul-Americana e o seu perfil começa a ser conhecido internacionalmente.
  Os seus colaboradores e afiliados começam a mandar informações dos quatro cantos do mundo para o NCLC de tal forma que em apenas uma dúzia de anos a organização que dirige torna-se na maior rede de informações secretas privada do mundo. Os seus conhecimentos e ligações levam-no ao contacto de militares, ministros e presidentes de muitos países e permitem-lhe granjear a atenção dos poderes instituídos dos EUA. nomeadamente da CIA a quem fornece regularmente informações sobre as actividades que estejam em investigação pela agência.
  Depois de alguns artigos polémicos em que descreve a eliminação do Ego de forma a poder-se criar uma nova personalidade socialista, e depois de acusado de defender a Lavagem Cerebral, LaRouche acusa Kissinger, Andropov, Harriman e alguns banqueiros poderosos de estarem a tentar assassiná-lo estendendo as acusações posteriormente a Kadaffi e Khomeini.
  É aqui, independentemente de ser ou não verdade, pelo menos em parte, que LaRouche desenvolve uma personalidade paranóica que fará com que, numa fuga para a frente, comece a definir aquilo a que se chama Teoria da Conspiração.
  Mas não estamos ainda no final da odisseia.
  Durante os anos 70,  especialmente desde o princípio da sua campanha presidencial em 1975, aparecem as primeiras acusações de xenofobia, fascismo e anti-semitismo. É nesta altura que as suas ideias de guerra espacial começam a surgir. Mais tarde a sua candidatura torna-se num dos pilares de apoio da Iniciativa de Defesa Estratégica de Ronald Reagan.
  Nos anos 80 acusa a equipa da candidatura de Reagan de negociar a libertação dos reféns americanos em Teerão para o mês de Outubro em troca de armas, para poder ganhar as eleições. A teoria denominada October Surprise foi discutida em profundidade durante os anos 80e 90, e foi desacreditada posteriormente apesar de ainda hoje se falar no assunto a que foi dado o nome de Irangate.
  Ainda durante esta década, LaRouche envolve-se na política Sul-Americana aconselhando vários dos seus líderes a suspender o pagamento da suas dívidas ao FMI, a implementar mecanismos de controlo cambial e a nacionalizar os bancos naquilo que ele chamou de Operation Juarez. Claro que esta ideia tem hoje muitos apoiantes.
  Em 2002, LaRouche fala pela primeira vez dos ataques de 11 de Setembro e afirma que se trata de uma operação interna desenhada para aumentar os níveis de defesa dos EUA. Mirabolantes afirmações que ainda hoje têm os seus fiéis seguidores.
  Independentemente do que se possa dizer sobre este homem, a verdade é que conseguiu durante muito tempo ser um espinho no sapato do poder instituído americano. As suas teorias ganham com o estado actual do ambiente económico, cada vez mais apoiantes, em todo o mundo. Mas mais uma vez há que olhar a história recente da humanidade para se ter a noção do que seria apostar num homem como LaRouche para liderar fosse o que fosse e muito menos um movimento global. Sem saber bem porquê, vejo passar as sombras de seres como Hitler ou Estaline na minha frente e espero que os nossos jovens não sigam cegamente quem grita palavras de ordem. Escutem sim! Mas sempre com o olhar crítico de quem sabe o que quer e com a certeza de que "não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe."
  É preciso ter calma, sobretudo muita calma!

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