Os grupos de influência da Europa Central e Norte, empresas financeiras e governos também, lançam a última das jogadas sujas para descapitalizar um país fraco e periférico, atingindo directamente a população com um saque sem lugar a defesa e indiscriminado às poupanças de um povo inteiro.
O resultado? Pois bem: os aforradores e cidadãos destes países vão colocar as suas poupanças e fazer os seus depósitos nos bancos da Europa Central e do Norte. Estes bancos vão recapitalizar-se e poder emprestar mais dinheiro aos países em desespero a um juro mais alto por uma causa que foram eles mesmo que criaram com este saque criminoso. Entretanto a Taxa Interbancária do BCE continua a sofrer pressões para baixar ainda mais, aumentando o ganho deste bando de agiotas.
Os povos assistem de maneira impávida e serena a este ataque, sem dar luta e pressionar os seus governos no sentido de se imporem e colocar um travão imediato nesta situação sob o pena de se procederem a referendos com vista a equacionar a saída da UE e do €uro junto da população dos países atingidos.
Uma saída desses países periféricos do sistema, provocaria a queda de todo o tecido Europeu como agora se apresenta. A influência dessas estruturas financeiras ficaria seriamente comprometida e provocariam dentro do próprio sistema bancário, uma série de mudanças que não são desejadas por aqueles que estão a fazer diariamente, um autêntica sangria dos povos periféricos.
Em Portugal, a maioria dos especialistas nega parecenças com Chipre e dizem que pelo facto de os nossos bancos estarem bem capitalizados, uma acção deste tipo nunca ocorreria aqui. As expressões destes "especialistas", não conseguem esconder a vergonha que eles mesmos sentem por dizer tão grande e absurda mentira. Em Portugal vai acontecer exactamente o mesmo e ninguém vai impedi-lo! De nada vale virem dizer que a nossa situação é diferente, porque não é! Tal como não são as da Irlanda e da Grécia. E nem falo em Espanha nem Itália porque os Centro-Europeus e Nórdicos sabem bem que não são países com quem se possa lidar da mesma forma pela sua dimensão física e demográfica. A prova está em que todas as negociações desses países com O BCE, FMI e CE, sempre se saldaram por uma clara leniência para com os prazos e taxas de juro a que esses países têm acesso e que não se comparam com os que foram estabelecidos para Portugal, Grécia e Irlanda.
Ressalta a confiança que esses agiotas têm no facto de saberem que os povos periféricos são, pela sua própria condição histórica, estrutural e geográfica, mais influienciáveis devido a uma passividade demonstrada ao longo de muitos séculos pelos seus povos.
Olhando friamente as coisas, fica sempre a sensação de que somos mesmo assim e que não há qualquer chance de as coisas mudarem dentro de um horizonte temporal visível: continuamos e sempre, ou quase sempre, a virar as costas à luta pela melhoria das nossas condições como se ser triste e pacífico por sina e fado, fosse parte da natureza assim como são os ventos e as tempestades. E de nada vale dizer que mesmo em tempo de temporal, é natureza humana correr para um abrigo que o ajude a ultrapassar as agruras do momento.
http://www.publico.pt/economia/noticia/parlamento-cipriota-recusa-taxa-sobre-depositos-1588358
ResponderEliminarPelos vistos o Parlamento Cipriota não foi na conversa e não houve nem um voto a favor!