A Obsolescência Programada (estratégia empresarial para obrigar à substituição dos bens de consumo duradouro num prazo pré-determinado), é uma técnica de desenvolvimento económico que permite que o consumo desses bens aumente permanentemente baseada no princípio de que, se as pessoas já têm tudo, deixam de comprar. Logo, menos produção industrial, menos empregos, menos receita para o estado e segundo alguns, mais gente a viver da Segurança Social.
Utilizando técnicas de marketing, criam em primeiro lugar a necessidade psicológica de consumo criando cada vez mais modelos do mesmo produto com outra cara: utilizam a comunicação social para espalhar subliminarmente a necessidade de um determinado produto e finalmente, seguem a tendência dos gostos. Está criado o balão que nos trouxe aqui!
A necessidade de viver em crescimento económico apenas serve para encher todo o planeta com lixo industrial, visto que a matéria prima se transforma em lixo o que levará também ao esgotamento e encarecimento progressivo dessa mesma matéria prima. A sociedade vai, mais cedo ou mais tarde, ter que lidar com o problema. Alguns prevêem uma forte tendência para o aumento do emprego na área do serviços de manutenção ambiental. Uma área que já está na mira de algumas empresas globais prevendo com antecedência, a dimensão do pagamento que cada cidadão vai ter que fazer para manter a terra limpa. A surpresa não vem daqui: a manutenção ambiental é um dever que cada cidadão tem e que deve começar por ser preventiva e finalmente co-activa!
Na sociedade em que vivemos, todos os produtos têm uma validade que não ultrapassa a garantia. Isto vai desde o produtos alimentares aos electrodomésticos e até ao sector automobilístico, sem esquecer a aplicação da mesma regra às instalações industriais pesadas. E se há produtos que pela sua própria natureza têm prazo de validade, a grande maioria dos bens de consumo duradouros poderia cumprir a sua função durante muito mais tempo se o design fosse concebido para ter um ciclo de vida útil mais amplo. Na realidade, esta necessidade programada provoca um aumento desnecessário dos custos de produção devido à necessidade de recurso a novos investimentos. Um investimento falacioso: é do juro advindo que o sistema financeiro constrói o seu império e tem, obviamente, interesse em que a necessidade continue a crescer para poder manter o seu sistema como se fosse possível um crescimento imparável e em moto-contínuo. O sistema financeiro ganha de dois lados: do lado do consumo ao crédito e do lado da produção de bens de consumo. Durante os últimos 100 anos, o sistema financeiro cresceu inusitadamente devido à Obsolescência Programada e criou uma elite financeira que tem vivido do interesse neste jogo de crescimento. Mas têm um problema: é saberem que a bolha não cresce sempre e que mais cedo ou mais tarde há-de rebentar. Começou agora por um furo que se tenta tapar com um remendo. Mas a pressão vai aumentar ainda mais e a bolha vai rebentar mesmo! Este é que é o problema principal desta crise que agora atravessamos. A juntar a isto há a pressão pública provocada por uma recusa social às condições de vida que esse sistema financeiro quer impor em nome de um crescimento que é uma miragem com fim à vista.
A solução para este tipo de problema começa por uma mudança de mentalidade popular e geral, uma conscencialização de que o consumo dever ser controlado pelo próprio consumidor e cerceado o estímulo para a renovação de bens em vida útil . O consumo consciente em Portugal é uma miragem e a grande maioria das pessoas, mesmo dentro de uma faixa informada, tem uma noção pouco consciente e nada realista das próprias necessidades de consumo. Para modificar este quadro seriam precisos em Portugal, mais de vinte anos de um trabalho de informação e educação desde os primeiros níveis de ensino assim como uma postura neutra do estado em relação a esta batalha. Que o estado não continue a enganar a população fazendo passar a imagem de que o Lobbying é algo positivo: nenhum governo de nenhum estado pode estar sujeito a pressões de grupo. Os interesses de pessoa (física ou virtual) não devem ser tratados de maneira diferente independentemente de se tratar de um cidadão ou de uma empresa, naquilo que toca à possibilidade de influenciar uma decisão que mexe com toda a população! A actividade destes grupos de pressão é de tal forma avassaladora, que é muito duvidoso que as instituições públicas possam actuar contra isto se não houver uma postura clara dos órgãos legislativo e judicial.
Se o crescimento económico continuar a ser a bússola da política governamental europeia, um destes dias vamos ter que substituir o carro a cada seis meses, a casa a cada cinco anos, o frigorífico a cada dois meses e por aí fora... O gigantismo tem que ser travado e só o consumidor tem que o travar!
Um simples exemplo: se cada pessoa que utiliza um telemóvel deixar de o substituir por um modelo que faz exactamente o mesmo mas que apenas parece diferente quando o anterior ainda funciona, a tendência seria a de uma estabilização gradual do mercado e um crescimento limitado do investimento na produção industrial na área, com a consequente diminuição da rotação financeira. Ou seja, os recursos que agora se desbaratam em acções de marketing para vender mais do mesmo, podiam ser canalizados para a investigação e para a sustentação de prazos mais prolongados de obsolescência, do ponto de vista da produção, e um aumento da capacidade do consumidor para diversificar o seu consumo.
Esta diversificação do consumo teria consequências benéficas para os actores menores do tecido económico e traria a economia europeia para um nível de crescimento saudável. Em Portugal, uma política de redução de consumo de bens de longa duração e uma atenção voltada para uma maior diversidade nos hábitos de consumo, traria a inversão do sistema actual e uma aproximação dos padrões do tecido produtivo de países como os do Vale do Ruhr. Os dados estatísticos são claros: enquanto p.ex. na Alemanha, a maioria do PIB é produzido ao nível das pequenas e médias empresas (+ de 90%) justamente por uma distribuição do consumo, em Portugal a situação é a inversa, sendo a maior parte do PIB produzido por grandes empresas. Esta característica da nossa economia faz com que o impacto da crise seja muito mais forte aqui.
Do ponto de vista legislativo, seria fácil aumentar para quatro anos a garantia obrigatória dos bens de consumo duradouro como os electrodomésticos, e para dez anos a garantia dos bens de maior duração como as viaturas. No caso de empresas com investimento em maquinaria de produção, essa garantia deveria ser feita através do acordo com as empresas do ramo segurador em conjunto com a co-responsabilização dos bancos responsáveis pelo financiamento de forma a evitar que sejam feitos investimentos não produtivos, muitas vezes que apenas servem para camuflar negócios com terceiros, fugas de capitais e irregularidades contabilísticas.
Portugal vive de costas voltadas para as realidades do mundo actual e pensa que, pelo facto de não ver o que se passa, a realidade não está lá!
. . ...... . . . . Portugal Cinco Estrelas
..................................................A revolução à tua porta!!! Não pares se queres mudar: chegou a hora de fazer justiça!
quinta-feira, 4 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
As Raízes da Crise: 2 - As Mentalidades Empresariais e Políticas no panorama do comércio externo
A simples observação do tecido comercial em Portugal, com predominância das grandes superfícies, mostra bem a standardização do consumo no país. A imposição do pagamento do estacionamento junto ao centro das cidades, apenas confirma o poderio dos Lobbies.
E sem qualquer razão visto que no actual estádio de desenvolvimento das
comunicações, com a respectiva deslocalização das empresas para as
periferias e ainda, apesar da desertificação
dos centros urbanos, os governos locais continuam a cobrar em vez de
fiscalizar com mais eficiência o estacionamento nos centros urbanos. A
consequência é que as pessoas procuram os centros comerciais pela
comodidade que oferecem e o consumidor fica à mercê de regras que apenas
o prejudicam e que são impostas por empresas multinacionais e oligarcas
cujo objectivo é centralizar o poderio da distribuição para
poderem impor ao consumidor tanto o preço como o tipo de mercadoria que entendem como melhor negócio visto que não há mais escolha. Alguém se deu ao trabalho de reparar, durante alguma das suas visitas à nossa vizinha Espanha, que a aparência do nosso pequeno comércio dá pena?
Como funcionam as pequenas empresas em Portugal? E como poderão encontrar uma saída para o estado lastimável em que se encontram? Não será decerto a continuar com a mesma política de investimento e de modernização que tem vigorado até agora e que apenas serve os fins neo-liberais do grande capital.
A crise instalada tem origens muito anteriores às que agora os responsáveis do governo querem fazer de bode expiatório para poderem continuar a passear a sua arrogância e incompetência. Mas isso não é desculpa!
Em primeiro lugar há no nosso país uma tendência para deixar estar tudo como está e mexer o menos possível nas coisas só porque estão ou estiveram, durante um certo tempo, a correr bem. Há mesmo um ditado que mostra bem o tipo de perspectiva do empresário em Portugal: no futebol diz-se que em equipa que está a jogar bem não se mexe! Mais retrógrado que isso e demonstrativo da mentalidade dos nossos comerciantes, não há! Na política passa-se exactamente o mesmo: o povo Português tem uma aversão natural à mudança, mesmo quando isso lhe pode ser benéfico!
A grande maioria do empresariado português trabalha do mesmo modo desde que começa a sua empresa até que se dá conta de que o que teria que ser mudado já vem tarde. Depois queixa-se: dos impostos, da crise enfim, de tudo menos de si mesmo.
Eu passo pelas ruas da nossas cidades e vejo os centros urbanos pejados de lojas e lojinhas que parecem ter saído dos confins da memória dos nossos avós. E de nada lhes serve o exemplo das grandes multinacionais que operam ao seu lado. Não querem saber de mudanças e quando estas lhes são propostas dizem sempre o mesmo: não mudamos porque sempre trabalhámos assim e achamos que os nossos clientes preferem que assim continuemos.
Trata-se de uma postura imobilista e preguiçosa que apenas pode ter mau resultado. em todos os países e mesmo nas sociedades chamadas "em vias de desenvolvimento", sempre encontrei uma postura de desejo de modernização, num espírito de competição em que pouco importa o que os outros fazem mas antes aquilo que nós podemos fazer para melhorar o nosso negócio. E ninguém está à espera que o governo lhes ensine aquilo que eles devem aprender por si mesmos.
No nosso país há que atirar sempre as culpas para alguém desde que isso não chamusque nenhuma das nossas certezas e especialmente não nos faça sentir mal com a nossa própria consciência. Sem mudar esta mentalidade nunca os nossos empresários poderão sequer aprender a sua própria profissão. Nos dias que correm, com tantas tentações por todo o lado, quem quer passar meses e meses a passar diante das mesmas montras cheias de pijamas de outras eras a que mesmo os nossos avós torcem o nariz? Mas não! Vamos continuar a fazer o que sempre fizemos porque foi assim que o meu pai fez e o meu avô e antes deles, os pais dele. E foi assim que me criaram e eu estou aqui vivo e pelo menos vou andando...
Pois é mas nem sempre as coisas correm de forma a andar! E depois é que são elas!
Parece de momento impossível uma mudança desta mentalidade. Primeiro por falta de iniciativa do próprio empresário e depois por uma inércia intencional do sistema de financiamento bancário que, salvo raras excepções, nega crédito para uma modernização desse tecido empresarial por isso poder vir a colocar em causa o lucro das grandes empresas que muitas vezes têm nos seus quadros directivos sócios dos próprios bancos! E qual seria a chance de um pequeno empresário poder enfrentar os conglomerados gigantes que dominam a economia do país e que movimentam milhares de milhões de €uros através dessas mesmas instituições?
Depois é a justiça que não funciona! E porque essa mesma justiça está de mãos dadas com o grande capital, sempre pronta a descurar os crimes dos grandes "senhores". Em Portugal, quem tem dinheiro pode fazer o que muito bem entender porque, aos olhos da justiça, quem tem grandes posses só pode ser boa gente. Descura-se uma velha máxima: quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vêm.
Os nossos juízes foram, na sua grande maioria, criados na antiga mentalidade portuguesa que define a personalidade das pessoas pelas suas posses e não pela sua estrutura psicológica! assim, um milionário dono de um ou vários hipermercados, é melhor pessoa do que um pequeno comerciante de ruela. Mesmo que por trás da sua fortuna estejam os mais incríveis crimes. Nada disso: tem montes de dinheiro, logo está acima de qualquer suspeita. Logo qualquer acusação de abuso de posição privilegiada feita contra algum dos grandes oligarcas, é motivo para se olhar com desconfiança para o acusador que corre o risco de ser visto como um "bufo".
E claro que, apesar disso, a subserviência dos nossos empresários é lendária: ninguém se atreve a fazer frente a estes senhores como medo de ficarem mal vistos ou pior ainda: serem processados por um qualquer motivo sem sentido. Têm medo de que possam chamar-lhes agitadores ou coisa do género A verdade é que nem mesmo para defender os seus interesses alguém levanta a voz e tenta ao menos mudar as regras do jogo. Assim, quando oiço falar em crise no pequeno comércio, fico logo "de pé atrás" como sói dizer-se.
Também sei que a maioria dos nossos empresários ainda vive numa espécie de limbo que foi provocado pelo grande capital. Mas nunca poderei deixar de pensar, correndo o risco de ser politicamente incorrecto, que muita da culpa do que está a acontecer, é dos pequenos empresários e da mentalidade retrógrada que lhes serve de base comportamental. Quem corre por gosto não cansa! E já vai sendo tarde para se proceder a uma mudança profunda, ainda que pacífica, das mentalidades.
Mas os nossos governantes e políticos também têm a sua quota parte da culpa deste estado de coisas. Onde está a política de comércio externo do País? Quais os apoios que o estado porporciona aos nossos empresários se estes quiserem ter uma estratégia de internacionalização? Como é que os nossos produtos são divulgados no estrangeiro? Onde está a formação profissional para levar a cabo uma verdadeira política de espansão internacional? Como é que os nossos empresários podem competir com as potências estrangeiras, algumas de grande dimensão, quando os seus países lhes porporcionam apoios para estabelecerem os seus pontos de venda aqui e o nosso governo não exige contrapartidas de igual qualidade nos seus países de origem? Se por cada loja chinesa em Portugal, houvesse uma com produtos portugueses na China, de certeza que não estaríamos agora nesta ingrata situação que é a de ter que pedir de joelhos que nos ajudem. A reciprocidade mas relações comerciais de qualquer país com outro, só pode funcionar se houver de parte a parte uma postura que garanta esse equilíbrio e que não sirva apenas os interesses de um só lado que é o que acontece aqui com a descarada conivência das autoridades portuguesas. Será por burrice? Ou será porque por trás desta política de terra queimada estarão escondidos interesses obscuros para proteger grandes multinacionais. Assim: se a Daimler-Benz, quiser abrir mais cinquenta pontos de venda em território chinês, a UE negoceia uma série de interesses que apenas beneficiam a empresa alemã, através da cedência de quotas de mercado em território europeu que nada têm a ver com a indústria automóvel. Lembro a postura dos Alemães aquando da crise do Vale do Ave e da indústria têxtil portuguesa que foi cilindrada pela produção chinesa de baixa qualidade e baseada numa política de baixos salários e violação sistemática de direitos humanos. A indústria têxtil nacional foi sacrificada ao interesse das multinacionais do norte da UE sem qualquer contemplação pelo interesse do país e da sua população. E agora são os mesmos alemães que nos querem pressionar para que entreguemos o pouco que nos resta em troca de um prato de sopa. Trata-se de uma bem sucedida investida para vergar o país e subjugar o povo aos interesses das grandes potências económicas. Uma vergonha histórica sem paralelo.
Agora e pelos vistos, só mesmo com a chicotada da crise que, se for para mudar alguma coisa na mentalidade deste povo, que seja bem vinda. Só espero sinceramente que ela não sirva de mote para que o povo português reaja como sempre faz quando se apresenta uma grande crise: escondendo-se nas cavernosas profundezas do passado e colocando-se obstinadamente nas mãos de um ditador. Os nossos políticos nem sequer têm vergonha de continuar a apregoar a passividade do nosso povo. Até quando Portugal?
Como funcionam as pequenas empresas em Portugal? E como poderão encontrar uma saída para o estado lastimável em que se encontram? Não será decerto a continuar com a mesma política de investimento e de modernização que tem vigorado até agora e que apenas serve os fins neo-liberais do grande capital.
A crise instalada tem origens muito anteriores às que agora os responsáveis do governo querem fazer de bode expiatório para poderem continuar a passear a sua arrogância e incompetência. Mas isso não é desculpa!
Em primeiro lugar há no nosso país uma tendência para deixar estar tudo como está e mexer o menos possível nas coisas só porque estão ou estiveram, durante um certo tempo, a correr bem. Há mesmo um ditado que mostra bem o tipo de perspectiva do empresário em Portugal: no futebol diz-se que em equipa que está a jogar bem não se mexe! Mais retrógrado que isso e demonstrativo da mentalidade dos nossos comerciantes, não há! Na política passa-se exactamente o mesmo: o povo Português tem uma aversão natural à mudança, mesmo quando isso lhe pode ser benéfico!
A grande maioria do empresariado português trabalha do mesmo modo desde que começa a sua empresa até que se dá conta de que o que teria que ser mudado já vem tarde. Depois queixa-se: dos impostos, da crise enfim, de tudo menos de si mesmo.
Eu passo pelas ruas da nossas cidades e vejo os centros urbanos pejados de lojas e lojinhas que parecem ter saído dos confins da memória dos nossos avós. E de nada lhes serve o exemplo das grandes multinacionais que operam ao seu lado. Não querem saber de mudanças e quando estas lhes são propostas dizem sempre o mesmo: não mudamos porque sempre trabalhámos assim e achamos que os nossos clientes preferem que assim continuemos.
Trata-se de uma postura imobilista e preguiçosa que apenas pode ter mau resultado. em todos os países e mesmo nas sociedades chamadas "em vias de desenvolvimento", sempre encontrei uma postura de desejo de modernização, num espírito de competição em que pouco importa o que os outros fazem mas antes aquilo que nós podemos fazer para melhorar o nosso negócio. E ninguém está à espera que o governo lhes ensine aquilo que eles devem aprender por si mesmos.
No nosso país há que atirar sempre as culpas para alguém desde que isso não chamusque nenhuma das nossas certezas e especialmente não nos faça sentir mal com a nossa própria consciência. Sem mudar esta mentalidade nunca os nossos empresários poderão sequer aprender a sua própria profissão. Nos dias que correm, com tantas tentações por todo o lado, quem quer passar meses e meses a passar diante das mesmas montras cheias de pijamas de outras eras a que mesmo os nossos avós torcem o nariz? Mas não! Vamos continuar a fazer o que sempre fizemos porque foi assim que o meu pai fez e o meu avô e antes deles, os pais dele. E foi assim que me criaram e eu estou aqui vivo e pelo menos vou andando...
Pois é mas nem sempre as coisas correm de forma a andar! E depois é que são elas!
Parece de momento impossível uma mudança desta mentalidade. Primeiro por falta de iniciativa do próprio empresário e depois por uma inércia intencional do sistema de financiamento bancário que, salvo raras excepções, nega crédito para uma modernização desse tecido empresarial por isso poder vir a colocar em causa o lucro das grandes empresas que muitas vezes têm nos seus quadros directivos sócios dos próprios bancos! E qual seria a chance de um pequeno empresário poder enfrentar os conglomerados gigantes que dominam a economia do país e que movimentam milhares de milhões de €uros através dessas mesmas instituições?
Depois é a justiça que não funciona! E porque essa mesma justiça está de mãos dadas com o grande capital, sempre pronta a descurar os crimes dos grandes "senhores". Em Portugal, quem tem dinheiro pode fazer o que muito bem entender porque, aos olhos da justiça, quem tem grandes posses só pode ser boa gente. Descura-se uma velha máxima: quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vêm.
Os nossos juízes foram, na sua grande maioria, criados na antiga mentalidade portuguesa que define a personalidade das pessoas pelas suas posses e não pela sua estrutura psicológica! assim, um milionário dono de um ou vários hipermercados, é melhor pessoa do que um pequeno comerciante de ruela. Mesmo que por trás da sua fortuna estejam os mais incríveis crimes. Nada disso: tem montes de dinheiro, logo está acima de qualquer suspeita. Logo qualquer acusação de abuso de posição privilegiada feita contra algum dos grandes oligarcas, é motivo para se olhar com desconfiança para o acusador que corre o risco de ser visto como um "bufo".
E claro que, apesar disso, a subserviência dos nossos empresários é lendária: ninguém se atreve a fazer frente a estes senhores como medo de ficarem mal vistos ou pior ainda: serem processados por um qualquer motivo sem sentido. Têm medo de que possam chamar-lhes agitadores ou coisa do género A verdade é que nem mesmo para defender os seus interesses alguém levanta a voz e tenta ao menos mudar as regras do jogo. Assim, quando oiço falar em crise no pequeno comércio, fico logo "de pé atrás" como sói dizer-se.
Também sei que a maioria dos nossos empresários ainda vive numa espécie de limbo que foi provocado pelo grande capital. Mas nunca poderei deixar de pensar, correndo o risco de ser politicamente incorrecto, que muita da culpa do que está a acontecer, é dos pequenos empresários e da mentalidade retrógrada que lhes serve de base comportamental. Quem corre por gosto não cansa! E já vai sendo tarde para se proceder a uma mudança profunda, ainda que pacífica, das mentalidades.
Mas os nossos governantes e políticos também têm a sua quota parte da culpa deste estado de coisas. Onde está a política de comércio externo do País? Quais os apoios que o estado porporciona aos nossos empresários se estes quiserem ter uma estratégia de internacionalização? Como é que os nossos produtos são divulgados no estrangeiro? Onde está a formação profissional para levar a cabo uma verdadeira política de espansão internacional? Como é que os nossos empresários podem competir com as potências estrangeiras, algumas de grande dimensão, quando os seus países lhes porporcionam apoios para estabelecerem os seus pontos de venda aqui e o nosso governo não exige contrapartidas de igual qualidade nos seus países de origem? Se por cada loja chinesa em Portugal, houvesse uma com produtos portugueses na China, de certeza que não estaríamos agora nesta ingrata situação que é a de ter que pedir de joelhos que nos ajudem. A reciprocidade mas relações comerciais de qualquer país com outro, só pode funcionar se houver de parte a parte uma postura que garanta esse equilíbrio e que não sirva apenas os interesses de um só lado que é o que acontece aqui com a descarada conivência das autoridades portuguesas. Será por burrice? Ou será porque por trás desta política de terra queimada estarão escondidos interesses obscuros para proteger grandes multinacionais. Assim: se a Daimler-Benz, quiser abrir mais cinquenta pontos de venda em território chinês, a UE negoceia uma série de interesses que apenas beneficiam a empresa alemã, através da cedência de quotas de mercado em território europeu que nada têm a ver com a indústria automóvel. Lembro a postura dos Alemães aquando da crise do Vale do Ave e da indústria têxtil portuguesa que foi cilindrada pela produção chinesa de baixa qualidade e baseada numa política de baixos salários e violação sistemática de direitos humanos. A indústria têxtil nacional foi sacrificada ao interesse das multinacionais do norte da UE sem qualquer contemplação pelo interesse do país e da sua população. E agora são os mesmos alemães que nos querem pressionar para que entreguemos o pouco que nos resta em troca de um prato de sopa. Trata-se de uma bem sucedida investida para vergar o país e subjugar o povo aos interesses das grandes potências económicas. Uma vergonha histórica sem paralelo.
Agora e pelos vistos, só mesmo com a chicotada da crise que, se for para mudar alguma coisa na mentalidade deste povo, que seja bem vinda. Só espero sinceramente que ela não sirva de mote para que o povo português reaja como sempre faz quando se apresenta uma grande crise: escondendo-se nas cavernosas profundezas do passado e colocando-se obstinadamente nas mãos de um ditador. Os nossos políticos nem sequer têm vergonha de continuar a apregoar a passividade do nosso povo. Até quando Portugal?
domingo, 24 de março de 2013
Um Terraço com Vista para o Futuro - I
"philosophical pitch" ou "scientific pitch"
O Schiller Institute e o Olho de Orwell
Verdi tuning! Afinação Verdi, em português.
Não penso entrar por aqui já que se alguém quiser saber mais sobre o assunto pode muito bem ir à Wikipedia e informar-se sobre isso.
Acho bem mais interessante debruçar-me sobre a dupla Goethe-Schiller e o chamado "Classicismo de Weimar". Bem claro fique que não sou ninguém para me deitar a apreciar o trabalho de tão ilustres humanos. Mas há coisas que ditas e sentidas noutras e tão distantes épocas, que têm agora algum sentido desfasado de uma realidade estranha de forma que é necessário deitar sobre elas um novo olhar.
Para o povo Alemão, o mundo deveria ser uma perfeita sinfonia em que tudo se passasse num ritmo e afinação perfeitos, filosófica e esteticamente, mesmo que para isso se tivesse que recorrer a uma fórmula matemática qualquer por muito absurda que pudesse parecer. E de nada vale falarem dos fantasmas como Kepler para nos tentarem impingir essa história de um mundo perfeito a dançar uma valsa.
Segundo Schiller, um ser humano devia ter as emoções educadas pela razão de forma a que o dever e a inclinação (instinto natural) não estivessem em confronto um com o outro, advindo daí a "beleza", sendo portanto esta não apenas uma experiência estética, mas também moral. Ou seja: o "Bom" é "Belo".
Claro está que estas coisas foram defendidas em finais do Séc. XVIII e princípios de XIX. O que é bem diferente de serem defendidas mais de 200 anos depois e com a humanidade num estado como o que actualmente atravessa. Hoje cabe mais do que nunca, duvidar de certezas e valores: o que é o "Bem"? E o que é isso de "Belo".
Depois de ter vivido mais de cinquenta anos e ter visto o mundo mudar de formas tão radicais e depois de ter assistido a mudanças de valores e sentimentos tão díspares como aqueles a que tive o privilégio de assistir, vejo hoje que algumas instituições perseguem certezas (?) que ainda recentemente.foram causa de grandes guerras e movimentos que destruíram as vidas de milhões de pessoas em todo o mundo pelo simples facto de que aquilo que para uns é "belo", para outros é "feio". Ou portanto, o que para uns é o "bem", para outros é o "mal".
Muitos dos movimentos chamados "Alternativos", vivem hoje de imagens propagandeadas por instituições e personalidades que defendem as mais absurdas teorias sociais e económicas. Hoje vejo com algum espanto, que a juventude que era suposto ter sido educada para o conhecimento e para a luz, mergulha em actividades tão contrárias a esses valores pelos quais as gerações anteriores tanto lutaram e sofreram. E pensam mesmo como os grandes ditadores e criminosos da história: quem pensa diferente deles, está contra eles e é preciso usar todo e qualquer método, incluindo a violência, para os contrariar e obrigar a pensar e viver como eles querem e acham que deve ser.
Há dias o acaso levou-me a estudar um instituto alemão, de nome Schiller Institut, através do qual dei comigo a aprofundar o meu parco conhecimento sobre as verdadeiras forças que movem o mundo. No artigo anterior olhei a vida de um dos fundadores deste instituto e comecei a pensar em Hitler e outros que tal. Mas aquilo que me deixou de boca aberta, por assim dizer, foi a quantidade de gente jovem que vê nestas personalidades os seus messias e salvadores do mundo, quando na realidade deviam ver um bando de criminosos cujo objectivo parece ser o de criar uma falácia com vista a que eles mesmos possam tomar o poder global que acusam os outros de querer.
Com palavras mansas e mensagens vagas mas ditas com pompa, parecem querer que todo o mundo se vergue às suas certezas e à sua moral em nome desse "bem" e desse "belo" que Schiller e Goethe defendiam com unhas e dentes e usando a mesma técnica que estes agora usam para obrigar os outros a aceitar aquilo que eles acham como sendo correcto. Cansa um pouco esta repetição da história. O nome do instituto está de facto bem escolhido. Mas parece um gato com o rabo de fora!
Quem ler o manifesto assinado pelos presentes na conferência do instituto, poderá ver o que se esconde por trás das palavras: "We, therefore, Representatives of the Peoples of the World, appealing to
the Supreme Judge of the world, do ... solemnly publish and declare
that all countries of the world are and of right ought to be free and
independent States. That all human beings on this planet have
inalienable rights, which guarantee them life, freedom, material
conditions worthy of man, and the right to develop fully all
potentialities of their intellect and their souls. That, therefore, a
change in the present economic and monetary order is necessary and
urgent to establish justice among the peoples of the world."
Em primeiro lugar ressalta de imediato a arrogância da declaração inicial: "We, therefore, Representatives of the Peoples of the World..." Bem: a mim não me representam porque eu nem sequer estava presente e a mim ninguém me perguntou se eu estava de acordo em que eles me representassem fosse para o que fosse. "...appealing to
the Supreme Judge of the world..." Quem???
Tem nome? Existência física? Onde está? O que faz? Onde mora? "do ... solemnly publish and declare
that all countries of the world are and of right ought to be free and
independent States" Ou não: parece que ainda há muito pouco tempo, um referendo popular decidiu, com apenas 1 voto contra, que os cidadãos queriam pertencer a um outro país. Aliás esta frase nem sequer tem nada de novo, como se isto já não fizesse parte de milhares de documentos produzidos durante décadas pelas chamadas instituições de direito internacional assim como a continuação deste absurdo "That all human beings on this planet have
inalienable rights, which guarantee them life, freedom, material
conditions worthy of man, and the right to develop fully all
potentialities of their intellect and their souls." A mim parece que isto já faz parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos. E por fim, a pérola: "That, therefore, a
change in the present economic and monetary order is necessary and
urgent to establish justice among the peoples of the world." Eu não preciso que venha um instituto qualquer dizer-me que as coisas têm que mudar nem sequer estou à espera que eles o façam por mim.
Para ser claro: não precisamos de institutos que nos venham impor regras de qualquer espécie que apenas servem para limitar a liberdade individual nem que venham meia dúzia de pedantes dizer que me representam quando eu não lhes pedi nada e mesmo que eles se achem no direito de defender aquilo que para eles é o "bem", eu tenho e terei sempre o inalienável direito de decidir por mim próprio o que quero para a minha vida. Obrigado, mas, NÃO obrigado!
Agora pergunto: como é que um instituto que se baseou num personagem que continua, aos 90 anos, a liderar um dos maiores sistemas privados de informação secreta do mundo, se atreve a dizer-me que está aqui para lutar pela minha liberdade? E como é que tantos jovens e não só, acreditam nestas balelas? É disto que eu tenho medo: desta ignorância das massas. Ortega Y Gasset deve dar voltas na campa: onde ficou a sua Rebelião das Massas?
Quem é Lyndon LaRouche?
Para a maioria dos portugueses, a figura de Lyndon LaRouche, também conhecido como Lyn Marcus, é um mistério. Para a maioria dos Americanos, é quase que um palhaço no ambiente político dos EUA.
Mas quem é este homem?
Quando hoje olhamos os movimentos chamados "Alternativos" que nos rodeiam e ouvimos muitas das coisas que defendem (na sua maioria de boa índole) vem-nos à memória este senhor que durante as revoltas estudantis americanas de 1968, foi um dos pilares do movimento que levou às grandes manifestações e às famosas repressões policiais que levaram à morte de muitos jovens.
Nascido em 1922, quase há um século, tem sido desde 1976, um eterno candidato à presidência dos EUA. Das suas teorias, como filósofo e pensador, ressalta a sua defesa das Teorias da Conspiração, em que se têm baseado muitas das teses que hoje servem de estrutura a uma paranóia global apostada em fazer crer a todos os seres humanos que existe um plano engendrado por meia dúzia de oligarcas, cujo objectivo é controlar o mundo. Claro que isto tem muita tinta ainda por correr e que muita dessa tinta irá decerto reescrever-se a si mesma. Não queremos misturar as coisas e pensamos que na sua maioria trata-se nada mais nada menos do que pura paranóia que nestes momentos de crise sempre têm um encanto especial e produzem na cabeça dos povos confusos ideias erradas sobre o que está por trás deste movimento liberal que tem vindo a pouco e pouco, a envenenar o ambiente político e social de todas as nações.
Mas LaRouche, acaba por se tornar numa figura incontornável destes movimentos, e também tem consciência de que as coisas que diz servem mais o crescimento do seu carisma e conta bancária do que propriamente a verdade. Mas vamos por partes!
Desde a sua tenra idade, a sua personalidade foi moldada por um pai demasiado moralista e socialmente desadaptado. Seu pai, um Quaker convertido, impôs-lhe regras que se tornaram um martírio na escola por não se poder sequer defender dos colegas. A sua solidão, segundo as suas próprias palavras, levou-o a estudar muitos dos filósofos da idade moderna e deu-lhe a sustentação das suas teorias actuais.
Durante os anos 40, depois de se ter declarado objector de consciência para evitar a guerra, estudou apenas durante alguns meses antes de abandonar os estudos para se alistar como não combatente nas forças americanas na Birmânia, onde serviu como auxiliar de serviços médicos. Em 1948 regressa aos estudos e começa a fazer parte de movimentos de base Trotskista. É por esta altura que o seu carácter evasivo se torna claro. Depois de dar aulas sobre o Materialismo Dialéctico de Marx na New York City's Free School (uma espécie de Universidade Aberta), convence um grupo de estudantes, durante os protestos de 1968 na Universidade de Colúmbia e organizou os seus apoiantes sob o nome National Caucus of Labor Committees (NCLC). O objectivo do NCLC era ganhar o controlo da facção Students for a Democratic Society, o principal grupo activista da universidade, e criar uma aliança política entre estudantes, residentes locais, sindicatos e a universidade. Muito parecido com o que alguns movimentos actuais fazem.
A partir de 1971, tenta organizar um conjunto de meios de comunicação para influenciar (segundo os seus críticos) as figuras políticas mais susceptíveis de serem pressionadas pelo Quarto Poder.
Durante as duas décadas seguintes, o seu percurso balança entre o politicamente correcto e o absurdo ético. Tem contactos com grupos de extrema direita e estrema esquerda; envolve-se em guerrilhas internas, envolve-se na problemática política Sul-Americana e o seu perfil começa a ser conhecido internacionalmente.
Os seus colaboradores e afiliados começam a mandar informações dos quatro cantos do mundo para o NCLC de tal forma que em apenas uma dúzia de anos a organização que dirige torna-se na maior rede de informações secretas privada do mundo. Os seus conhecimentos e ligações levam-no ao contacto de militares, ministros e presidentes de muitos países e permitem-lhe granjear a atenção dos poderes instituídos dos EUA. nomeadamente da CIA a quem fornece regularmente informações sobre as actividades que estejam em investigação pela agência.
Depois de alguns artigos polémicos em que descreve a eliminação do Ego de forma a poder-se criar uma nova personalidade socialista, e depois de acusado de defender a Lavagem Cerebral, LaRouche acusa Kissinger, Andropov, Harriman e alguns banqueiros poderosos de estarem a tentar assassiná-lo estendendo as acusações posteriormente a Kadaffi e Khomeini.
É aqui, independentemente de ser ou não verdade, pelo menos em parte, que LaRouche desenvolve uma personalidade paranóica que fará com que, numa fuga para a frente, comece a definir aquilo a que se chama Teoria da Conspiração.
Mas não estamos ainda no final da odisseia.
Durante os anos 70, especialmente desde o princípio da sua campanha presidencial em 1975, aparecem as primeiras acusações de xenofobia, fascismo e anti-semitismo. É nesta altura que as suas ideias de guerra espacial começam a surgir. Mais tarde a sua candidatura torna-se num dos pilares de apoio da Iniciativa de Defesa Estratégica de Ronald Reagan.
Nos anos 80 acusa a equipa da candidatura de Reagan de negociar a libertação dos reféns americanos em Teerão para o mês de Outubro em troca de armas, para poder ganhar as eleições. A teoria denominada October Surprise foi discutida em profundidade durante os anos 80e 90, e foi desacreditada posteriormente apesar de ainda hoje se falar no assunto a que foi dado o nome de Irangate.
Ainda durante esta década, LaRouche envolve-se na política Sul-Americana aconselhando vários dos seus líderes a suspender o pagamento da suas dívidas ao FMI, a implementar mecanismos de controlo cambial e a nacionalizar os bancos naquilo que ele chamou de Operation Juarez. Claro que esta ideia tem hoje muitos apoiantes.
Em 2002, LaRouche fala pela primeira vez dos ataques de 11 de Setembro e afirma que se trata de uma operação interna desenhada para aumentar os níveis de defesa dos EUA. Mirabolantes afirmações que ainda hoje têm os seus fiéis seguidores.
Independentemente do que se possa dizer sobre este homem, a verdade é que conseguiu durante muito tempo ser um espinho no sapato do poder instituído americano. As suas teorias ganham com o estado actual do ambiente económico, cada vez mais apoiantes, em todo o mundo. Mas mais uma vez há que olhar a história recente da humanidade para se ter a noção do que seria apostar num homem como LaRouche para liderar fosse o que fosse e muito menos um movimento global. Sem saber bem porquê, vejo passar as sombras de seres como Hitler ou Estaline na minha frente e espero que os nossos jovens não sigam cegamente quem grita palavras de ordem. Escutem sim! Mas sempre com o olhar crítico de quem sabe o que quer e com a certeza de que "não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe."
É preciso ter calma, sobretudo muita calma!
Mas quem é este homem?
Quando hoje olhamos os movimentos chamados "Alternativos" que nos rodeiam e ouvimos muitas das coisas que defendem (na sua maioria de boa índole) vem-nos à memória este senhor que durante as revoltas estudantis americanas de 1968, foi um dos pilares do movimento que levou às grandes manifestações e às famosas repressões policiais que levaram à morte de muitos jovens.
Nascido em 1922, quase há um século, tem sido desde 1976, um eterno candidato à presidência dos EUA. Das suas teorias, como filósofo e pensador, ressalta a sua defesa das Teorias da Conspiração, em que se têm baseado muitas das teses que hoje servem de estrutura a uma paranóia global apostada em fazer crer a todos os seres humanos que existe um plano engendrado por meia dúzia de oligarcas, cujo objectivo é controlar o mundo. Claro que isto tem muita tinta ainda por correr e que muita dessa tinta irá decerto reescrever-se a si mesma. Não queremos misturar as coisas e pensamos que na sua maioria trata-se nada mais nada menos do que pura paranóia que nestes momentos de crise sempre têm um encanto especial e produzem na cabeça dos povos confusos ideias erradas sobre o que está por trás deste movimento liberal que tem vindo a pouco e pouco, a envenenar o ambiente político e social de todas as nações.
Mas LaRouche, acaba por se tornar numa figura incontornável destes movimentos, e também tem consciência de que as coisas que diz servem mais o crescimento do seu carisma e conta bancária do que propriamente a verdade. Mas vamos por partes!
Desde a sua tenra idade, a sua personalidade foi moldada por um pai demasiado moralista e socialmente desadaptado. Seu pai, um Quaker convertido, impôs-lhe regras que se tornaram um martírio na escola por não se poder sequer defender dos colegas. A sua solidão, segundo as suas próprias palavras, levou-o a estudar muitos dos filósofos da idade moderna e deu-lhe a sustentação das suas teorias actuais.
Durante os anos 40, depois de se ter declarado objector de consciência para evitar a guerra, estudou apenas durante alguns meses antes de abandonar os estudos para se alistar como não combatente nas forças americanas na Birmânia, onde serviu como auxiliar de serviços médicos. Em 1948 regressa aos estudos e começa a fazer parte de movimentos de base Trotskista. É por esta altura que o seu carácter evasivo se torna claro. Depois de dar aulas sobre o Materialismo Dialéctico de Marx na New York City's Free School (uma espécie de Universidade Aberta), convence um grupo de estudantes, durante os protestos de 1968 na Universidade de Colúmbia e organizou os seus apoiantes sob o nome National Caucus of Labor Committees (NCLC). O objectivo do NCLC era ganhar o controlo da facção Students for a Democratic Society, o principal grupo activista da universidade, e criar uma aliança política entre estudantes, residentes locais, sindicatos e a universidade. Muito parecido com o que alguns movimentos actuais fazem.
A partir de 1971, tenta organizar um conjunto de meios de comunicação para influenciar (segundo os seus críticos) as figuras políticas mais susceptíveis de serem pressionadas pelo Quarto Poder.
Durante as duas décadas seguintes, o seu percurso balança entre o politicamente correcto e o absurdo ético. Tem contactos com grupos de extrema direita e estrema esquerda; envolve-se em guerrilhas internas, envolve-se na problemática política Sul-Americana e o seu perfil começa a ser conhecido internacionalmente.
Os seus colaboradores e afiliados começam a mandar informações dos quatro cantos do mundo para o NCLC de tal forma que em apenas uma dúzia de anos a organização que dirige torna-se na maior rede de informações secretas privada do mundo. Os seus conhecimentos e ligações levam-no ao contacto de militares, ministros e presidentes de muitos países e permitem-lhe granjear a atenção dos poderes instituídos dos EUA. nomeadamente da CIA a quem fornece regularmente informações sobre as actividades que estejam em investigação pela agência.
Depois de alguns artigos polémicos em que descreve a eliminação do Ego de forma a poder-se criar uma nova personalidade socialista, e depois de acusado de defender a Lavagem Cerebral, LaRouche acusa Kissinger, Andropov, Harriman e alguns banqueiros poderosos de estarem a tentar assassiná-lo estendendo as acusações posteriormente a Kadaffi e Khomeini.
É aqui, independentemente de ser ou não verdade, pelo menos em parte, que LaRouche desenvolve uma personalidade paranóica que fará com que, numa fuga para a frente, comece a definir aquilo a que se chama Teoria da Conspiração.
Mas não estamos ainda no final da odisseia.
Durante os anos 70, especialmente desde o princípio da sua campanha presidencial em 1975, aparecem as primeiras acusações de xenofobia, fascismo e anti-semitismo. É nesta altura que as suas ideias de guerra espacial começam a surgir. Mais tarde a sua candidatura torna-se num dos pilares de apoio da Iniciativa de Defesa Estratégica de Ronald Reagan.
Nos anos 80 acusa a equipa da candidatura de Reagan de negociar a libertação dos reféns americanos em Teerão para o mês de Outubro em troca de armas, para poder ganhar as eleições. A teoria denominada October Surprise foi discutida em profundidade durante os anos 80e 90, e foi desacreditada posteriormente apesar de ainda hoje se falar no assunto a que foi dado o nome de Irangate.
Ainda durante esta década, LaRouche envolve-se na política Sul-Americana aconselhando vários dos seus líderes a suspender o pagamento da suas dívidas ao FMI, a implementar mecanismos de controlo cambial e a nacionalizar os bancos naquilo que ele chamou de Operation Juarez. Claro que esta ideia tem hoje muitos apoiantes.
Em 2002, LaRouche fala pela primeira vez dos ataques de 11 de Setembro e afirma que se trata de uma operação interna desenhada para aumentar os níveis de defesa dos EUA. Mirabolantes afirmações que ainda hoje têm os seus fiéis seguidores.
Independentemente do que se possa dizer sobre este homem, a verdade é que conseguiu durante muito tempo ser um espinho no sapato do poder instituído americano. As suas teorias ganham com o estado actual do ambiente económico, cada vez mais apoiantes, em todo o mundo. Mas mais uma vez há que olhar a história recente da humanidade para se ter a noção do que seria apostar num homem como LaRouche para liderar fosse o que fosse e muito menos um movimento global. Sem saber bem porquê, vejo passar as sombras de seres como Hitler ou Estaline na minha frente e espero que os nossos jovens não sigam cegamente quem grita palavras de ordem. Escutem sim! Mas sempre com o olhar crítico de quem sabe o que quer e com a certeza de que "não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe."
É preciso ter calma, sobretudo muita calma!
terça-feira, 19 de março de 2013
O Atlântico Sul e a Porta da Europa.
Custa assistir impotente ao que, ao longo do último século, tem sucedido na estrutura geo-polítca do Atlântico Sul. Importante também é o conhecimento de quem beneficia com este estado de coisas.
A simples apreciação do mapa do Atlântico Sul num relance, dá para ver qual a dimensão da esfera de influência da Lusofonia.
Portugal e a Macaronésia, quase toda, A Guiné Bissau, Cabo Verde (que também faz parte da Macaronésia assim como as Canárias), São Tomé e Príncipe, Angola e Brasil, espalham-se por um território maior que os EUA, A China, a Rússia ou a Índia. 220 milhões de cidadãos, têm uma palavra a dizer naquilo que se passa no mundo. Extrapolando fronteiras culturais, se a Ibéria fosse unida num propósito de unificação de esforços, o território abrangido tornaria uma união do género, uma das maiores potências mundiais numa questão de meses. O equilíbrio de forças estabelecido seria mesmo o principal pilar de um futuro que inevitavelmente passaria por uma maior intervenção decisória por parte dos países "em vias de desenvolvimento" no tecido económico e financeiro mundial do futuro.
Sendo Portugal ainda periférico numa organização como esta, teria como vantagem a proximidade Europeia, facto não discipiendo nesta questão visto que serviria sempre de interlocutor priviligiado entre os dois Blocos a par de uma situação logística estratégica importante no escoamento da produção entre os dois blocos. Por outras palavras, o centro decisório seria forçosamente deslocado para o sul, impondo um travão às intenções hegemónicas da Europa Central. Mais importante, seria a deslocação do teatro financeiro europeu para o sul, entre Madrid e Lisboa.
É bem conhecida a predominância do pensamento Norte Atlântico na política económica e financeira mundial do presente e que colocou o mundo à beira da destruição com o advento da globalização e da imposição do Acordo do Comércio Livre (GATT) aos povos em vias de desenvolvimento utilizando o poder financeiro para a corrupção de agentes governamentais sem escrúpulos que mantiveram o poder nesses países à custa do uso ilegítimo da força.
É por isso mesmo essencial que as coisas mudem urgentemente. É fundamental a criação de um escudo económico para proteger os povos vítimas, da gula insaciável das multinacionais.
O passado já mostrou a Portugal que a nossa vocação é e sempre foi atlântica e não continental.
Quanto tempo vamos continuar a virar as costas a uma luta que vamos mais tarde ou mais cedo acabar por ter que encetar, e cujo atraso apenas vai dificultrar essa mesma luta no que a nós nos toca e prolongar o sentimento de mal estar e o estado de crise em que estamos a afundar?
Aproxima-se a hora em que os Portugueses vão ter que se decidir: ou queremos a Europa nestes moldes que nos querem à força impor, ou largamos a UE e o €uro, para pegarmos num projecto em que a nossa cultura e a nossa língua chegarão mais cedo ou mais tarde a servir de bitola e não de grades.
Sabemos que há quem vá deixando para amanhã uma discussão como aquela em que gostaria de ver a sociedade portuguesa mergulhada, mas mais grave é o facto de não haver sequer quem esteja disposto a trazer para a ribalta uma discução destas! Ora, sabendo de antemão que não é possível que as instituições mantenham o control total sobre as mentes de todos os cidadãos, pergunto: porque é que ninguém se mexe?
A simples apreciação do mapa do Atlântico Sul num relance, dá para ver qual a dimensão da esfera de influência da Lusofonia.
Portugal e a Macaronésia, quase toda, A Guiné Bissau, Cabo Verde (que também faz parte da Macaronésia assim como as Canárias), São Tomé e Príncipe, Angola e Brasil, espalham-se por um território maior que os EUA, A China, a Rússia ou a Índia. 220 milhões de cidadãos, têm uma palavra a dizer naquilo que se passa no mundo. Extrapolando fronteiras culturais, se a Ibéria fosse unida num propósito de unificação de esforços, o território abrangido tornaria uma união do género, uma das maiores potências mundiais numa questão de meses. O equilíbrio de forças estabelecido seria mesmo o principal pilar de um futuro que inevitavelmente passaria por uma maior intervenção decisória por parte dos países "em vias de desenvolvimento" no tecido económico e financeiro mundial do futuro.
Sendo Portugal ainda periférico numa organização como esta, teria como vantagem a proximidade Europeia, facto não discipiendo nesta questão visto que serviria sempre de interlocutor priviligiado entre os dois Blocos a par de uma situação logística estratégica importante no escoamento da produção entre os dois blocos. Por outras palavras, o centro decisório seria forçosamente deslocado para o sul, impondo um travão às intenções hegemónicas da Europa Central. Mais importante, seria a deslocação do teatro financeiro europeu para o sul, entre Madrid e Lisboa.
É bem conhecida a predominância do pensamento Norte Atlântico na política económica e financeira mundial do presente e que colocou o mundo à beira da destruição com o advento da globalização e da imposição do Acordo do Comércio Livre (GATT) aos povos em vias de desenvolvimento utilizando o poder financeiro para a corrupção de agentes governamentais sem escrúpulos que mantiveram o poder nesses países à custa do uso ilegítimo da força.
É por isso mesmo essencial que as coisas mudem urgentemente. É fundamental a criação de um escudo económico para proteger os povos vítimas, da gula insaciável das multinacionais.
O passado já mostrou a Portugal que a nossa vocação é e sempre foi atlântica e não continental.
Quanto tempo vamos continuar a virar as costas a uma luta que vamos mais tarde ou mais cedo acabar por ter que encetar, e cujo atraso apenas vai dificultrar essa mesma luta no que a nós nos toca e prolongar o sentimento de mal estar e o estado de crise em que estamos a afundar?
Aproxima-se a hora em que os Portugueses vão ter que se decidir: ou queremos a Europa nestes moldes que nos querem à força impor, ou largamos a UE e o €uro, para pegarmos num projecto em que a nossa cultura e a nossa língua chegarão mais cedo ou mais tarde a servir de bitola e não de grades.
Sabemos que há quem vá deixando para amanhã uma discussão como aquela em que gostaria de ver a sociedade portuguesa mergulhada, mas mais grave é o facto de não haver sequer quem esteja disposto a trazer para a ribalta uma discução destas! Ora, sabendo de antemão que não é possível que as instituições mantenham o control total sobre as mentes de todos os cidadãos, pergunto: porque é que ninguém se mexe?
O Saque em Chipre!
Os grupos de influência da Europa Central e Norte, empresas financeiras e governos também, lançam a última das jogadas sujas para descapitalizar um país fraco e periférico, atingindo directamente a população com um saque sem lugar a defesa e indiscriminado às poupanças de um povo inteiro.
O resultado? Pois bem: os aforradores e cidadãos destes países vão colocar as suas poupanças e fazer os seus depósitos nos bancos da Europa Central e do Norte. Estes bancos vão recapitalizar-se e poder emprestar mais dinheiro aos países em desespero a um juro mais alto por uma causa que foram eles mesmo que criaram com este saque criminoso. Entretanto a Taxa Interbancária do BCE continua a sofrer pressões para baixar ainda mais, aumentando o ganho deste bando de agiotas.
Os povos assistem de maneira impávida e serena a este ataque, sem dar luta e pressionar os seus governos no sentido de se imporem e colocar um travão imediato nesta situação sob o pena de se procederem a referendos com vista a equacionar a saída da UE e do €uro junto da população dos países atingidos.
Uma saída desses países periféricos do sistema, provocaria a queda de todo o tecido Europeu como agora se apresenta. A influência dessas estruturas financeiras ficaria seriamente comprometida e provocariam dentro do próprio sistema bancário, uma série de mudanças que não são desejadas por aqueles que estão a fazer diariamente, um autêntica sangria dos povos periféricos.
Em Portugal, a maioria dos especialistas nega parecenças com Chipre e dizem que pelo facto de os nossos bancos estarem bem capitalizados, uma acção deste tipo nunca ocorreria aqui. As expressões destes "especialistas", não conseguem esconder a vergonha que eles mesmos sentem por dizer tão grande e absurda mentira. Em Portugal vai acontecer exactamente o mesmo e ninguém vai impedi-lo! De nada vale virem dizer que a nossa situação é diferente, porque não é! Tal como não são as da Irlanda e da Grécia. E nem falo em Espanha nem Itália porque os Centro-Europeus e Nórdicos sabem bem que não são países com quem se possa lidar da mesma forma pela sua dimensão física e demográfica. A prova está em que todas as negociações desses países com O BCE, FMI e CE, sempre se saldaram por uma clara leniência para com os prazos e taxas de juro a que esses países têm acesso e que não se comparam com os que foram estabelecidos para Portugal, Grécia e Irlanda.
Ressalta a confiança que esses agiotas têm no facto de saberem que os povos periféricos são, pela sua própria condição histórica, estrutural e geográfica, mais influienciáveis devido a uma passividade demonstrada ao longo de muitos séculos pelos seus povos.
Olhando friamente as coisas, fica sempre a sensação de que somos mesmo assim e que não há qualquer chance de as coisas mudarem dentro de um horizonte temporal visível: continuamos e sempre, ou quase sempre, a virar as costas à luta pela melhoria das nossas condições como se ser triste e pacífico por sina e fado, fosse parte da natureza assim como são os ventos e as tempestades. E de nada vale dizer que mesmo em tempo de temporal, é natureza humana correr para um abrigo que o ajude a ultrapassar as agruras do momento.
O resultado? Pois bem: os aforradores e cidadãos destes países vão colocar as suas poupanças e fazer os seus depósitos nos bancos da Europa Central e do Norte. Estes bancos vão recapitalizar-se e poder emprestar mais dinheiro aos países em desespero a um juro mais alto por uma causa que foram eles mesmo que criaram com este saque criminoso. Entretanto a Taxa Interbancária do BCE continua a sofrer pressões para baixar ainda mais, aumentando o ganho deste bando de agiotas.
Os povos assistem de maneira impávida e serena a este ataque, sem dar luta e pressionar os seus governos no sentido de se imporem e colocar um travão imediato nesta situação sob o pena de se procederem a referendos com vista a equacionar a saída da UE e do €uro junto da população dos países atingidos.
Uma saída desses países periféricos do sistema, provocaria a queda de todo o tecido Europeu como agora se apresenta. A influência dessas estruturas financeiras ficaria seriamente comprometida e provocariam dentro do próprio sistema bancário, uma série de mudanças que não são desejadas por aqueles que estão a fazer diariamente, um autêntica sangria dos povos periféricos.
Em Portugal, a maioria dos especialistas nega parecenças com Chipre e dizem que pelo facto de os nossos bancos estarem bem capitalizados, uma acção deste tipo nunca ocorreria aqui. As expressões destes "especialistas", não conseguem esconder a vergonha que eles mesmos sentem por dizer tão grande e absurda mentira. Em Portugal vai acontecer exactamente o mesmo e ninguém vai impedi-lo! De nada vale virem dizer que a nossa situação é diferente, porque não é! Tal como não são as da Irlanda e da Grécia. E nem falo em Espanha nem Itália porque os Centro-Europeus e Nórdicos sabem bem que não são países com quem se possa lidar da mesma forma pela sua dimensão física e demográfica. A prova está em que todas as negociações desses países com O BCE, FMI e CE, sempre se saldaram por uma clara leniência para com os prazos e taxas de juro a que esses países têm acesso e que não se comparam com os que foram estabelecidos para Portugal, Grécia e Irlanda.
Ressalta a confiança que esses agiotas têm no facto de saberem que os povos periféricos são, pela sua própria condição histórica, estrutural e geográfica, mais influienciáveis devido a uma passividade demonstrada ao longo de muitos séculos pelos seus povos.
Olhando friamente as coisas, fica sempre a sensação de que somos mesmo assim e que não há qualquer chance de as coisas mudarem dentro de um horizonte temporal visível: continuamos e sempre, ou quase sempre, a virar as costas à luta pela melhoria das nossas condições como se ser triste e pacífico por sina e fado, fosse parte da natureza assim como são os ventos e as tempestades. E de nada vale dizer que mesmo em tempo de temporal, é natureza humana correr para um abrigo que o ajude a ultrapassar as agruras do momento.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Liberdade de Expressão e Desenvolvimento Social
Não se entendem mais do que razões simples que se depreendem dos comportamentos para que se saiba das verdadeiras intenções daqueles com quem lidamos no dia a dia e sobretudo dos que nos governam. Há sempre uma razão de interesses por trás de tudo quanto decidimos ou que os outros decidem por nós e que nos impede de chegar a lugares mais altos de onde se vê melhor a imensidão do caminho que temos de percorrer. Na melhor das hipóteses há que levar em conta que a destruição da visibilidade dos factos que levam às escolhas políticas, se deve em primeiro lugar a um desejo individual específico que nunca corresponde efectivamente ao alargado desejo social. Por essa razão pode haver duas perspectivas mais ou menos consonantes e simultâneamente diferentes no que é mais fundamental, sendo que uma delas impede a outra de se colocar num nível superior por que isso pode vir a colocar em causa o interesse pessoal envolvido.
A política, vista do ponto baixo do cidadão como membro da estrutura social alargada, é um estado de aparente superioridade de alguns indivíduos que espalham o medo através da divulgação de informação selectiva e que nos asseguram aparentemente que vamos ver as coisas resolvidas dentro da vontade de uma maioria que nem sempre o é. Do ponto de vista alto ou de quem exerce o poder, a política é uma certeza de que se pode conseguir atingir objectivos pessoais através da utilização que se tem do conhecimento do desejo conjunto dos cidadãos. Se estes dois interesses coincidem, há um avanço que beneficia hipoteticamente ambas as partes; se assim não for, há um retrocesso na mesma medida em que o interesse (leia-se poder e ganho material) individual do detentor do cargo aumenta conforme diminui o interesse geral. Sendo a ganância e o desejo individual os motores deste ciclo interactivo, é ao cidadão comum que cabe tomar medidas que contenham essa ganância dentro dos limites da individualidade e não deixar que um só cidadão ou grupo restrito, tenha o poder de interpretar sem oposição, os sinais que o levam a tomar decisões que afectam a sociedade em geral. A manifestação pública é a única forma de o fazer: seja ela pela via de aglomeração de massas num determinado local, seja pela expressão artística no espaço público quer ainda e quando possível, pela denúncia através dos meios de comunicação social.
A única maneira de um grupo restrito de cidadãos conseguir manter o seu "status quo" é recusando a cultura às bases, impedido assim a ascensão social indiscriminada e sobretudo a que vem de fora do grupo na ânsia e desejo de que a situação se perpetue! Isto leva à baixa taxa de reposição de sangue político e de novas ideias que são o verdadeiro motor do desenvolvimento social e económico de uma nação!
Por isso é que todas as acções contra a liberdade de expressão (a criativa e a de registo entre outras), são graves atentados contra os verdadeiros fundamentos de uma democracia e contra o desenvolvimento de uma sociedade em todos os seus aspectos incluindo o económico. Na realidade são verdadeiros crimes que apesar de poderem ser punidos com pena efectiva de cadeia pela legislação nacional, nunca tal tenha acontecido apesar de sermos todos os anos criticados internacionalmente por violação de direitos humanos.
Portugal está a perder terreno precisamente porque a atitude dos políticos nacionais em relação à expressão artística sempre foi tomada numa perspectiva de que o desenvolvimento trará consigo a cultura, quando na realidade é precisamente o contrário. O país só terá futuro quando a justiça começar a tomar as decisões que tem sistematicamente protelado para proteger os direitos fundamentais do cidadão (entre os quais está o direito à própria justiça, imparcial e efectiva). É fundamental começar a castigar os culpados com todo o peso da lei e mostrar a quem nos dirige que a lei, feita por eles próprios, é mesmo para se cumprir por todos e a começar por eles mesmos. Nunca devemos esquecer que essas leis são feitas para defender o cidadão do peso e força do estado e das instituições em geral e não para que o indivíduo se submeta à prepotência e abuso de poder dos mesmos.
É do interesse de todos colocar um travão urgente e determinante neste descalabro. Urgente e vital!
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