Custa assistir impotente ao que, ao longo do último século, tem sucedido na estrutura geo-polítca do Atlântico Sul. Importante também é o conhecimento de quem beneficia com este estado de coisas.
A simples apreciação do mapa do Atlântico Sul num relance, dá para ver qual a dimensão da esfera de influência da Lusofonia.
Portugal e a Macaronésia, quase toda, A Guiné Bissau, Cabo Verde (que também faz parte da Macaronésia assim como as Canárias), São Tomé e Príncipe, Angola e Brasil, espalham-se por um território maior que os EUA, A China, a Rússia ou a Índia. 220 milhões de cidadãos, têm uma palavra a dizer naquilo que se passa no mundo. Extrapolando fronteiras culturais, se a Ibéria fosse unida num propósito de unificação de esforços, o território abrangido tornaria uma união do género, uma das maiores potências mundiais numa questão de meses. O equilíbrio de forças estabelecido seria mesmo o principal pilar de um futuro que inevitavelmente passaria por uma maior intervenção decisória por parte dos países "em vias de desenvolvimento" no tecido económico e financeiro mundial do futuro.
Sendo Portugal ainda periférico numa organização como esta, teria como vantagem a proximidade Europeia, facto não discipiendo nesta questão visto que serviria sempre de interlocutor priviligiado entre os dois Blocos a par de uma situação logística estratégica importante no escoamento da produção entre os dois blocos. Por outras palavras, o centro decisório seria forçosamente deslocado para o sul, impondo um travão às intenções hegemónicas da Europa Central. Mais importante, seria a deslocação do teatro financeiro europeu para o sul, entre Madrid e Lisboa.
É bem conhecida a predominância do pensamento Norte Atlântico na política económica e financeira mundial do presente e que colocou o mundo à beira da destruição com o advento da globalização e da imposição do Acordo do Comércio Livre (GATT) aos povos em vias de desenvolvimento utilizando o poder financeiro para a corrupção de agentes governamentais sem escrúpulos que mantiveram o poder nesses países à custa do uso ilegítimo da força.
É por isso mesmo essencial que as coisas mudem urgentemente. É fundamental a criação de um escudo económico para proteger os povos vítimas, da gula insaciável das multinacionais.
O passado já mostrou a Portugal que a nossa vocação é e sempre foi atlântica e não continental.
Quanto tempo vamos continuar a virar as costas a uma luta que vamos mais tarde ou mais cedo acabar por ter que encetar, e cujo atraso apenas vai dificultrar essa mesma luta no que a nós nos toca e prolongar o sentimento de mal estar e o estado de crise em que estamos a afundar?
Aproxima-se a hora em que os Portugueses vão ter que se decidir: ou queremos a Europa nestes moldes que nos querem à força impor, ou largamos a UE e o €uro, para pegarmos num projecto em que a nossa cultura e a nossa língua chegarão mais cedo ou mais tarde a servir de bitola e não de grades.
Sabemos que há quem vá deixando para amanhã uma discussão como aquela em que gostaria de ver a sociedade portuguesa mergulhada, mas mais grave é o facto de não haver sequer quem esteja disposto a trazer para a ribalta uma discução destas! Ora, sabendo de antemão que não é possível que as instituições mantenham o control total sobre as mentes de todos os cidadãos, pergunto: porque é que ninguém se mexe?
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